Exames do pré-natal: quais são e quando fazer cada um
Resposta rápida: No pré-natal brasileiro, consultas e exames caminham juntos do início ao fim da gestação. A Caderneta Brasileira da Gestante, do Ministério da Saúde, prevê no mínimo 7 consultas de acompanhamento, além de pelo menos uma avaliação odontológica. Os exames se distribuem em três momentos: a bateria de sangue e urina do começo, os ultrassons de cada etapa e as verificações da reta final. Entre os marcos mais lembrados estão o ultrassom morfológico do primeiro trimestre (11 a 14 semanas), o teste de glicose (24 a 28 semanas) e o exame do cotonete (35 a 37 semanas).
Cronograma completo: exame, época e o que é
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Exame |
Quando fazer |
O que é |
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Tipagem sanguínea e fator Rh |
Início do pré-natal |
Exame de sangue que identifica o grupo sanguíneo (A, B, AB ou O) e o fator Rh da gestante. |
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Coombs indireto |
Início do pré-natal, se o fator Rh for negativo |
Exame de sangue que pesquisa anticorpos contra o fator Rh no sangue materno. |
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Hemograma completo |
1º trimestre (repete no 3º) |
Exame de sangue que avalia os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos e as plaquetas. |
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Glicemia de jejum |
1º trimestre |
Exame de sangue que mede a glicose após um período de jejum, já na primeira bateria de pedidos. |
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Sorologias (sífilis, HIV, hepatites B e C) |
1º trimestre (a de sífilis repete no 3º) |
Exames de sangue que pesquisam marcadores dessas infecções; em muitos serviços, a bateria inclui também a sorologia para toxoplasmose. |
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Exame de urina e urocultura |
1º trimestre |
Análise da urina em laboratório e cultura para pesquisar bactérias presentes nela. |
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Papanicolau (citopatológico) |
Início do pré-natal, se estiver na época |
Coleta de células do colo do útero, realizada quando a gestante está na faixa etária e no intervalo previstos para o exame. |
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Ultrassom obstétrico inicial |
Primeiras semanas |
Ultrassom usado para confirmar a localização da gravidez e estimar a idade gestacional. |
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Sexagem fetal (opcional) |
A partir de 8 semanas completas |
Exame de sangue particular e opcional que identifica o sexo do bebê a partir do DNA fetal presente no sangue da mãe. |
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Ultrassom morfológico do 1º trimestre |
11 a 14 semanas |
Ultrassom que observa a formação inicial do bebê e inclui a medida da translucência nucal. |
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Ultrassom morfológico do 2º trimestre |
20 a 24 semanas |
Ultrassom detalhado que observa a anatomia do bebê e acompanha o seu crescimento. |
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Teste de glicose (TOTG 75 g) |
24 a 28 semanas |
Exame de sangue com coletas antes e depois de beber uma solução de glicose, usado na triagem do diabetes gestacional. |
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Ultrassom de crescimento |
3º trimestre, quando indicado pela equipe |
Ultrassom que acompanha o crescimento e a posição do bebê nas últimas semanas. |
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Exame do cotonete (estreptococo do grupo B) |
35 a 37 semanas |
Coleta rápida com cotonete na vagina e no reto que pesquisa a presença dessa bactéria. |
Primeiro trimestre: a bateria inicial e os primeiros ultrassons
O pré-natal começa, de preferência, ainda no primeiro trimestre — a primeira consulta até a 12ª semana é a meta acompanhada pelos serviços de saúde. É nessa consulta inicial que a equipe solicita a bateria listada na tabela: tipagem sanguínea, hemograma, glicemia de jejum, sorologias e exame de urina costumam vir em um único pedido.
O primeiro ultrassom costuma ser feito nas primeiras semanas e serve, principalmente, para confirmar a localização da gravidez e estimar a idade gestacional. Saber em qual semana a gestação está é o que permite encaixar todos os demais exames nas janelas certas — quem ainda não sabe a sua pode começar pela calculadora de idade gestacional da página inicial.
Entre 11 e 14 semanas acontece o ultrassom morfológico do primeiro trimestre, que observa a formação inicial do bebê e inclui a medida da translucência nucal. Esse exame e o morfológico do segundo trimestre têm janelas bem definidas, que não se transferem para qualquer data; os detalhes de cada um estão no artigo sobre o ultrassom morfológico e suas semanas.
Também no primeiro trimestre, quem deseja descobrir o sexo do bebê mais cedo pode recorrer à sexagem fetal, um exame de sangue opcional, feito em laboratório particular e disponível a partir de 8 semanas completas. Ele não integra a rotina do pré-natal público e não substitui nenhum ultrassom; prazos e preparo estão explicados no artigo sobre a sexagem fetal.
Segundo trimestre: o morfológico principal e o teste de glicose
O exame mais aguardado do segundo trimestre é o ultrassom morfológico realizado entre 20 e 24 semanas, a avaliação mais detalhada da anatomia do bebê ao longo de toda a gestação. Como a janela é fechada, vale agendar com antecedência assim que a equipe fizer a solicitação.
Entre 24 e 28 semanas entra em cena o teste oral de tolerância à glicose, o TOTG de 75 g, conhecido também como curva glicêmica ou “exame do líquido doce”. Ele funciona como triagem do diabetes gestacional: a gestante chega em jejum, faz a primeira coleta de sangue, bebe a solução de glicose e repete a coleta depois de 1 hora e de 2 horas. Algumas páginas de laboratórios citam o intervalo de 24 a 32 semanas, pensando em quem começa o pré-natal mais tarde, mas a janela padrão adotada pelos protocolos é a de 24 a 28 semanas — por isso, o melhor é não deixar o exame para o fim do trimestre.
Terceiro trimestre: repetições, crescimento e o exame do cotonete
Na reta final, parte da bateria do início se repete: um novo hemograma e uma nova sorologia de sífilis costumam ser solicitados no terceiro trimestre, mesmo para quem já os fez no início. Quando a equipe considera necessário, um ultrassom de crescimento acompanha o tamanho e a posição do bebê nas últimas semanas.
Entre 35 e 37 semanas é a vez da pesquisa do estreptococo do grupo B, popularmente chamada de exame do cotonete. A coleta é simples e rápida: um cotonete é passado na vagina e outro no reto, sem nenhum preparo anterior, e o material segue para análise em laboratório. A janela segue a recomendação adotada pela FEBRASGO e pelos protocolos de pré-natal, e o exame entra na rotina justamente nas semanas que antecedem o parto.
Quantas consultas de pré-natal são necessárias?
A recomendação atual do Ministério da Saúde, registrada na Caderneta Brasileira da Gestante, é de no mínimo 7 consultas ao longo da gravidez, intercaladas entre médico e enfermeiro, além de pelo menos uma consulta odontológica. Materiais mais antigos ainda falam em 6 consultas — distribuídas em 1 no primeiro trimestre, 2 no segundo e 3 no terceiro —, número que foi atualizado na versão mais recente da Caderneta.
Na prática, quem segue o ritmo usual faz mais do que o mínimo: as consultas costumam ser mensais até por volta de 28 semanas, passam a ser a cada duas semanas entre 28 e 36 semanas e se tornam semanais da 37ª semana até o parto. Não existe “alta” do pré-natal: o acompanhamento continua de forma regular até o nascimento.
E quem começou o pré-natal depois do primeiro trimestre?
Começar mais tarde não elimina nenhuma etapa: a equipe reorganiza os pedidos, concentra a bateria inicial na primeira consulta e encaixa os exames de janela nas datas que ainda estão abertas. O teste de glicose, por exemplo, é um dos que os serviços costumam adaptar para quem chegou depois, sempre seguindo o protocolo local. O importante é começar o acompanhamento assim que possível e manter o ritmo combinado com a equipe.
Preparo e organização: o que observar em cada tipo de exame
Em todas as consultas: levar a caderneta da gestante e os resultados dos exames anteriores ajuda a equipe a registrar tudo e evita pedidos repetidos sem necessidade.
- Jejum: necessário para a glicemia de jejum e para o TOTG — em geral, 8 horas sem comer antes da coleta. No caso do TOTG, reserve também cerca de 2 horas no laboratório, por causa das coletas em sequência.
- Ultrassons: em geral não exigem preparo; se houver alguma orientação específica, ela é dada pelo serviço onde o exame será realizado.
- Exame do cotonete: não pede preparo algum; a coleta dura poucos minutos.
- Sexagem fetal: não exige jejum; basta estar com 8 semanas completas ou mais.
Como a calculadora ajuda a não perder nenhuma janela
Quase todos os exames deste cronograma são marcados em semanas de gestação, e não em datas fixas do calendário. Quem conhece a própria semana atual e a data provável do parto consegue prever, com meses de antecedência, quando cada janela vai abrir — e agendar tudo com calma. A calculadora de idade gestacional mostra esses dois dados em segundos, e a página de gravidez semana a semana ajuda a acompanhar o que muda em cada etapa até o fim da gestação. Vale lembrar que a data provável do parto é uma estimativa: apenas em torno de 5% dos bebês nascem exatamente nela, e é a equipe de pré-natal quem confirma os marcos do acompanhamento.
Perguntas frequentes
Fontes
- Ministério da Saúde — Caderneta Brasileira da Gestante: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_brasileira_gestante.pdf
- Fiocruz / Campus Virtual — curso Pré-natal de Qualidade (janela do TOTG entre 24 e 28 semanas): https://mooc.campusvirtual.fiocruz.br/rea/pre-natal-qualidade/modulo3/modulo3-aula2.html
- FEBRASGO — recomendações de assistência pré-natal (pesquisa do estreptococo do grupo B entre 35 e 37 semanas).
Este texto é apenas informativo e resume documentos públicos do Ministério da Saúde e da FEBRASGO; ele não substitui o pré-natal. Cabe à equipe que acompanha cada gestação indicar os exames e interpretar os seus resultados.
Quem fez esta página
O cronograma foi organizado pela equipe da Calculadora de Idade Gestacional a partir dos documentos oficiais do pré-natal.
As épocas indicadas seguem a Caderneta Brasileira da Gestante e as recomendações das sociedades médicas. O texto é informativo e não substitui o acompanhamento do pré-natal.
Última atualização: outubro de 2026.

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